Universidade nada pública

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O fato de uma universidade ser federal, em absoluto não quer dizer que ela é do público.

Ela é, provavelmente, ‘menos’ do público do que uma universidade privada.

Enquanto a universidade privada precisa competir pela preferência dos futuros estudantes, mantendo uma boa reputação quanto à formação que estes terão e preservando aspectos relacionados à atendimento e satisfação do usuário. A universidade pública caga e anda para a opinião dos estudantes que são usuários de seu serviço, pois o emprego dos funcionários que gerenciam esta instituição não dependem da satisfação de ninguém, após aprovados no concurso público, que lhes garante estabilidade e um salário de 3 a 8 vezes acima da média de mercado, eles adquirem também uma carta branca para a incompetência e descaso.

O término do vestibular da UFSM e a adoção de um regime de quotas em 50% não deveria ser uma surpresa. Tampouco o fato de essa decisão ser tomada um dia antes do término das inscrições para o Enem, estudantes que porventura tenham se sentido desrespeitados ou negligenciados não interessam, a universidade não é do público, ela é da facção estatal que a controla.

As universidades federais e o sistema público de ensino são um antro de cafajestes corporativos. Com raras exceções, os cargos de coordenação e gestão nas instituições públicas são uma assustadora mostra do quanto a mediocridade e a ausência de caráter podem prosperar em um ambiente que não permite a demissão e premia as relações políticas.

A escolha de abandonar a produção própria do vestibular vai de encontro com uma diretriz nacional do MEC, principal órgão de doutrinação nacional e provedor dos recursos dessa instituição. Logo, além de não causar surpresa, cabem poucas considerações a respeito.

A outra alteração refere ao sistema de cotas, e também não é surpresa alguma, inclusive, esta instituição poderia destinar 100% de suas vagas para alunos da rede pública, o que é uma tendência, e isso ainda seria coerente com os propósitos escusos desse tipo de instituição.

A única curiosidade que cabe discutir são os impactos dessa mudança e os objetivos implícitos que não surgiram na discussão com o público.

Ao diminuir as vagas para estudantes de escolas privadas nas universidades federais (que foi o que ocorreu ao se estabelecer 50% de vagas para cotistas), o governo retira os incentivos para que os pais desses alunos os matriculem em escolas privadas e os incentiva a ir para as escolas públicas. Escolas essas com problemas quanto ao número de vagas, infraestrutura e falta de professores, entre outros.

Porém, o governo garante que o mecanismo de doutrinação criado pelo MEC funcione de maneira ainda mais eficiente, pois os currículos das escolas públicas devem seguir rigorosamente a cartilha socialista do MEC. Acaba assim a ligeira liberdade que as instituições privadas possuem para educar os alunos sem um viés marxista permeando todos os conteúdos. Por isso não é surpresa ver políticos de esquerda enaltecendo esta medida, essa medida é o que os garantirá no poder por mais 20 a 40 anos, é de se esperar que os únicos favorecidos desse chabadá louvem isto.

Além disso, o objetivo da medida, que é o de promover a inclusão, não será alcançado.

O número reduzido de vagas seguirá o mesmo e o fator que talvez seja o que mais contribui para a exclusão de alguns públicos de certos cursos não será alterado.

Os cursos considerados ‘elitistas’, seja lá o que isso queira dizer em um país miserável como esse, são diurnos, o que impede que o estudante trabalhe durante sua graduação. Estudantes de baixa renda não podem se dar ao luxo de passar 4 anos após concluírem o ensino médio sem trabalhar. Quando precisei escolher o que cursar na minha graduação, optei pelo curso se Administração em detrimento do curso de Engenharia Civil por este critério.

O curso de engenharia era diurno, então optei por Administração de Empresas que permitiria que eu trabalhasse durante o dia e estudasse a noite.

Quanto às cotas raciais tampouco cabe discutir. Ou melhor, ‘cota de cú é rola’. Esse conceito de direito determinado pelas características de um grupo, pela cor ou etnia é uma estupidez grosseira.

Alguém que defende as cotas não pode criticar outros grupos de supremacistas raciais, como neonazistas, por exemplo, pois ambas as posturas compartilham o mesmo princípio de determinismo racial. Um princípio errôneo e nojento, que lega ao indivíduo uma herança que não é dele. Todo racista é alguém que não se reconhece como indivíduo, que quer adquirir direitos herdados de antepassados, que quer receber recompensas por penas sofridas por pessoas que nem conheceu.

Ayn Rand dizia que, ‘um grupo, como tal, não tem direitos. Um homem não pode, nem adquirir direitos por se unir a um grupo, nem perder o que já possui. O princípio dos direitos individuais é a única base moral de todos os grupos ou associações. Todo grupo que não reconhece este princípio não é uma associação, mas uma quadrilha ou uma gang’[1]. Os grupos militantes dessa causa não passam disso, quadrilhas em busca de benefícios imerecidos.

Milton Friedman disse que a solução do governo para um problema é, geralmente, pior que o próprio problema. Isso ficou evidente nessa decisão. A questão dos cursinhos pré-vestibulares pouco ou nada me interessa, estes seguirão existindo. Tampouco a questão das cotas, que contam com ampla popularidade. Meu único interesse nesse caso é o mindset, o modelo mental predominante, o fato das pessoas ainda se iludirem com a perspectiva de que as instituições públicas se importam com as reais necessidades das pessoas é impressionante. Não. O sistema público de educação só serve para atender a ele próprio. É como um câncer que se retroalimenta.

Doutores orientadores querem orientandos produzindo conteúdo em massa para engrossar o caldo do seu lattes e abrindo caminho para mais uma polpuda bolsa; secretários de educação trabalham para atender interesses ideológicos, produzindo planos de curso que doutrinem os estudantes com um viés esquerdista, para que estes produzam teses sobre marxismo cultural, dialética kantiana ou idiotices sobre Gramsci que sigam mantendo os regimes populistas no poder; políticos querem garantir que a população cresça e eduque-se acreditando na necessidade e importância da existência de um governo, e que questionem cada vez menos o fato de pagarem bilhões em impostos para sustentar uma casta de incompetentes.

Aos pais. Cuidem de seus filhos, revisem o sonho da faculdade pública, considerem os cursos de formação técnica ou cursos em algumas das raras universidades privadas que ainda preservam princípios morais e trabalhem conteúdos que tornem seus filhos homens capazes econômica e intelectualmente, e moralmente dignos. Não permitam que o ensino público transforme seus filhos em parasitas que tenham como a maior ambição na vida a de viver a custas dos outros após aprovar em um concurso público.

 

[1] Ayn Rand – A Virtude do egoísmo. 1961

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